Artigo: SOMOS SERES CULTURAIS, PORTADORES DE FUTURO

IMG-20210427-WA0034*Por Nelson Freitas

Na primeira quinzena de janeiro de 2022, a capital do estado acolheu o Rio Innovation Week, um evento dedicado à apresentação de projetos inovadores aliados às mais novas tecnologias, que reuniu importantes atores dos campos social, cultural, político e econômico. Foi uma singular oportunidade de encontro entre autoridades públicas, diferentes representantes da sociedade, da iniciativa privada e do terceiro setor, em um esforço coletivo de reflexão sobre projetos portadores de futuro, ou seja, aqueles que aliam desenvolvimento em harmonia com a qualidade de vida da população.

O Rio de Janeiro é e sempre foi um grande celeiro de projetos inovadores, porque foi “desenhado”, em toda a sua história, com traços, contornos e o preenchimento de uma cultura diversa e plural. A rica diversidade de expressão cultural do Rio se fortalece na sua originalidade, na pluralidade de seus grupos sociais e pelas novas identidades que se constroem a todo o tempo. E as últimas novidades em termos de comunicação e transmissão de conhecimento, devem ser uma vigorosa ferramenta de fortalecimento da diversidade de expressão do povo, em toda a sua pluralidade.

Mas precisamos ampliar o nosso olhar sobre as reais e verdadeiras experiências socioeconômicas na segunda dezena do século XXI. Um fato de especial relevância, antes de qualquer especulação sobre os cenários do futuro, é reconhecer que as promessas utópicas do início da Revolução Digital, que preconizavam um tempo maior de aproveitamento de vida do trabalhador para a sua melhor formação e para o lazer, sobretudo o lazer cultural, até agora não se fizeram sentir na prática. À exceção de uma ínfima minoria ultra-high tech, o tempo de vida parece cada vez mais haver encurtado para a maior parte da humanidade. A velocidade dos acontecimentos, infelizmente, não está sendo utilizada para a construção de novos saberes, de mais espaço para o lazer, estudos, ou mesmo de cargas horárias de trabalho mais humanizadas.

São muitos os caminhos a serem percorridos, muitas adversidades ainda precisam ser enfrentadas e superadas e, por isso, faz-se urgente investir no pleno acesso de toda a sociedade aos meios de comunicação digital, para que, em sua diversidade econômica, cultural e social, ela possa ser abastecida pelas mais inovadoras plataformas pedagógicas e, assim, se fortalecer pela eficácia dos serviços educativos, o que pode gerar, além de mais produtividade econômica, mais qualidade de formação técnica, humana e qualidade de vida. A cultura é o bem mais valioso de uma sociedade, de uma nação, afinal de contas, somos todos seres culturais, portadores de futuro. E, o Rio de Janeiro é, sem sombra de dúvidas, inovador e, portanto, a maior vitrine que o Brasil possui para a apresentação de novidades e de projetos inovadores.  Sem falar que a sua cultura, o seu modo de vida, e, principalmente, o seu cenário é muito instagramável!

 cultural é o patrimônio comum da humanidade…” – Declaração Universal Sobre a Diversidade Cultural (UNESCO).

*Nelson Freitas é subdiretor-geral de Cultura da ALERJ