PALÁCIO TIRADENTES COMPLETA 96 ANOS

Obras finais do palácio em janeiro de 1925 Crédito Augusto Malta-MISFACHADA verde ThiagoLontra_31_08_2020-pequena

Cenário de decisões políticas do passado e presente o Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) completa hoje (06/05), 96 anos. Sua história começa em 1907, quando foi aprovado em lei orçamentária o crédito destinado à construção de um prédio único para abrigar as duas casas legislativas: Câmara dos Deputados e Senado Federal. Naquela ocasião, até mesmo o projeto da obra havia sido definido. Entretanto, a falta de consenso entre Câmara e Senado sobre onde o edifício deveria ser erguido inviabilizou a realização dos planos, e assim tocaria a cada Casa providenciar sua própria sede.

Ficou decidido que o local da edificação  do então chamado “o palácio da câmara” seria entre o quadrilátero situado entre as ruas da Misericórdia (hoje Primeiro de Março), da República do Peru, São José e Dom Manoel – exatamente no local onde existia a Casa de Câmara e Cadeia (Cadeia Velha), lembrando que o local já havia sido a sede do Poder Legislativo e palco de acontecimentos marcantes como a prisão de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e outros inconfidentes mineiros, escravos e outros presos políticos.

Foi anunciada a escolha do projeto para a nova sede da Câmara dos Deputados e os nomes dos arquitetos Archimedes Memória e Francisque Couchet cuja construção se deu entre 1922 e 1926. Projetado em estilo eclético o Palácio Tiradentes é inaugurado em 6 de maio de 1926, e, passa a abrigar a Câmara Federal que ali funcionou de 1926 a 1960, tendo recebido para a posse todos os presidentes do período- de Washington Luiz a Juscelino Kubitscheck.

De 1937 a 1945, durante o Estado Novo, o Parlamento foi fechado pelo presidente Getúlio Vargas e no Palácio Tiradentes passa a funcionar o Ministério da Justiça e o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão de censura do regime.

Em 1960, quando da transferência da capital do país para Brasília, o Palácio Tiradentes abriga a Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara (ALEG) que 15 anos depois, com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, passa a se chamar Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), que funcionou ali até julho de 2021, sendo transferida para o Edifício Lúcio Costa, na Rua da Ajuda, 5, no Centro.

Atualmente o palácio está passando por obras de restauro e conservação e será transformado no mais novo espaço cultural do Centro, com previsão de abertura ainda este ano. De grande importância histórica e arquitetônica já atraiu milhares de milhares visitantes, entre brasileiros e estrangeiros, desde a inauguração (2001) de sua exposição permanente: “Palácio Tiradentes, Lugar de Memória do Parlamento Brasileiro”.

 

O Pod Alerj tem entrevista sobre o Palácio Tiradentes com subdiretor-geral de Cultura da Alerj, Nelson Freitas e a arquiteta Simone Algebaile. Acesse https://www.youtube.com/watch?v=zxEyj0j548k

 

Por Symone Munay

Foto: ArquivoMIS/ComunicaçãoALERJ

*DETALHES DE UM PALÁCIO: A Cúpula

CUPULA obras de restauraçâo em 2016.Jpg_20160413 Detalhes da cúpula do Palácio Tiradentes Crédito Thiago Lontra 2017

 

Com 350 toneladas e medindo 12 metros de diâmetro a cúpula do Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ)  é tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).  Seu vitral reproduz o céu do Rio do Janeiro às 9h15 do dia 15 de novembro de 1889, momento exato da proclamação da República do Brasil.

São oito  telas que retratam “A evolução política brasileira” (telas maiores) e a “Formação territorial nacional” (telas menores). São representações da chegada da Esquadra Portuguesa, em 1500, comandada por com Pedro Álvares Cabral, a Proclamação da República. Além da visão externa da cúpula cada detalhe da obra dos irmãos Rodolpho Chambelland e Carlos Chambelland, pode ser observado com clareza do interior do plenário Barbosa Lima Sobrinho.

Durante a última restauração  –  que levou um ano e meio entre 2015 até maio  de 2017 –  a peça foi dividida em quadrantes, como um grande quebra-cabeça. Neste período de restauração, uma imensa lona branca recobriu todo o espaço. Seus componentes foram retirados de só uma vez, e foram recuperadas no atelier do vitralista Luidi Nunes que contou com a colaboração de 12 profissionais.

Com 45 anos de profissão, Luidi é considerado a maior referência no Brasil na recuperação e criação de vitrais, sendo 1.500 painéis de sua autoria. Os vidros superiores da cúpula foram trocados e a estrutura de sustentação foi reforçada com hastes de metal horizontais. “Corrigimos ainda um problema do projeto original. É extraordinário poder devolver uma peça histórica ao seu local de origem. Acreditem, agora a cúpula está pronta para durar uns 80 anos ou mais”, disse ele naquela ocasião.

Cúpula PEQUENA e detalhe de alegorias na fachada do Palácio Tiradentes Crédito AscomAlerj

Por Symone Munay

Fotos: Comunicação/Alerj