ABL ELEGE A ATRIZ FERNANDA MONTENEGRO A NOVA ‘IMORTAL’

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A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu, nesta quinta-feira (05/11), a nova ocupante da Cadeira 17, na sucessão do acadêmico e diplomata Affonso Arinos de Mello Franco, falecido no dia 15 de março de 2020.

A vencedora e atriz Fernanda Montenegro,  recebeu 32 votos. Os ocupantes anteriores da cadeira 17 foram: Sílvio Romero (fundador) – que escolheu como patrono Hipólito da Costa –  Osório Duque-Estrada, Roquette-Pinto, Álvaro Lins e Antonio Houaiss.

Segundo o estatuto da ABL, para alguém candidatar-se a uma cadeia é preciso ser brasileiro nato e ter publicado, em qualquer gênero da literatura, obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livros de valor literário. Seguindo o modelo da Academia Francesa, a ABL é constituída por 40 membros efetivos e perpétuos. Além disso, existem mais 20 membros correspondentes estrangeiros.

Os imortais da ABL são escolhidos mediante eleição por processo de votação secreto. Quando um acadêmico morre, a cadeira é declarada vaga na ‘Sessão de Saudade’, e a partir de então os interessados dispõem de 2 meses para se candidatarem, através de carta enviada ao presidente da Academia, atualmente Marcos Lucchese. A eleição transcorre 60 dias após a declaração da vaga.

Sobre a mais nova acadêmica

Arlette Pinheiro Monteiro Torre, que nasceu no bairro do Campinho, na zona Oeste do Rio, completou 92 anos de idade no dia 16 de outubro. Não demorou muito para receber o nome artístico de Fernanda Montenegro, que subiu no palco, pela primeira vez, aos oito anos de idade para participar de uma peça na igreja. No entanto, a estreia oficial no teatro ocorreu em aos 21 anos de idade, ao lado do marido Fernando Torres, no espetáculo “3.200 Metros de Altitude”, de Julian Luchaire.

Na TV Tupi, participou, por dois anos, de cerca de 80 peças, exibidas nos programas Retrospectiva do Teatro Universal e Retrospectiva do Teatro Brasileiro. Ganhou o prêmio de Atriz Revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, em 1952, no ano seguinte d a sua estreia profissional, por seu trabalho em “Está Lá Fora um Inspetor”, de J.B. Priestley, e “Loucuras do Imperador”, de Paulo Magalhães.

Mudou-se para São Paulo em 1954, onde fez parte da Companhia Maria Della Costa e do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). Com o marido, formou sua própria companhia, o Teatro dos Sete – acompanhada também de Sergio Britto, Ítalo Rossi, Gianni Ratto, Luciana Petruccelli e Alfredo Souto de Almeida. A estreia da Companhia fez sucesso: “O Mambembe” (1959), de Artur Azevedo, atraiu centenas de espectadores ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 1963, estreou na TV Rio, com as novelas “Amor Não é Amor” e “A Morta sem Espelho”, ambas de Nelson Rodrigues. Na recém-criada TV Globo, nesse período, fez participação na série de teleteatro “4 no Teatro” (1965), dirigida por Sérgio Britto. Em 1967 também integrou o elenco da TV Excelsior: interpretou a personagem Lisa, em “Redenção”, de Raimundo Lopes.

Ao longo da carreira, a atriz participou também de minisséries como “Riacho Doce” (1990), Incidente em Antares (1994), “O Auto da Compadecida” (1999) e “Hoje é Dia de Maria” (2005). No caso da minissérie baseada na obra do Acadêmico Ariano Suassuna, Fernanda Montenegro viveu a própria Compadecida.

Fernanda foi a primeira latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz por seu trabalho em Central do Brasil (1998), um filme de Walter Salles.

Em 1999, a atriz foi condecorada com a maior comenda que um brasileiro pode receber da Presidência da República, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito “pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras”. Na época, uma exposição realizada no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, comemorou os 50 anos de carreira da atriz. Em 2004, aos 75 anos, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Tribeca, em Nova York, por sua atuação em “O Outro Lado da Rua”, de Marcos Bernstein.

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Fernanda em Central do Brasil (1998) com o ator Vinicius de Oliveira/Divulgação

 

Por Symone Munay

Foto: Reprodução/TV Globo

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