Descubra de onde vieram os símbolos que já deram o que falar

Os 17 postes de bronze que circundam o Palácio Tiradentes já deram o que falar. Recentemente, a imprensa carioca questionou sua origem e atribuiu a eles a presença de símbolos do fascismo, como o feixe de madeira, envolvendo uma machadinha, com uma águia no topo.

A mesma dúvida surgiu nas galerias do plenário, onde a mesma imagem aparece em desenhos. “Feixe é a unidade do povo, sua força. A machada é o propósito, a república.

A força do povo e seu o poder estão ali representados”, diz o historiador Gilberto Catão. Especulou-se até que os postes teriam sido presente do líder do Partido Nacional Fascista, o italiano Benito Mussolini ao presidente Getúlio Vargas. Priscila Moita, que trabalha na visitação guiada do Tiradentes, diz que o estilo eclético tem influência da Roma Antiga. “O machado simboliza a maneira como era aplicada a lei à época. Tudo indica que, mais tarde, o fascismo viria a se apropriar desse símbolo.” que o prédio é anterior ao governo de Getúlio Vargas, que só assumiu o poder em 1930, sendo o prédio de 1926. Logo, o uso nos postes que rodeiam o Tiradentes mostra que é uma casa das leis. A mesma ilustração se repete em frente à escadaria, no piso de pedras portuguesas da Rua Primeiro de Março.

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Conheça lendas e curiosidades do Palácio Tiradentes.

Palco de inúmeras discussões políticas e local de trabalho de milhares de pessoas ao longo de seus 90 anos, não faltam histórias de quem caminha ou já passou pelo movimentado Palácio Tiradentes. Algumas engraçadas e outras até assustadoras, as lendas e curiosidades da sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vão do setor de segurança da Casa a antigos deputados estaduais.

Relembrando os primeiros anos de sua longa estadia na Alerj, a ex-deputada Graça Matos conta sobre alguns momentos de tensão que viveu no plenário do parlamento Fluminense. No início da década de 90, quando ela foi eleita para o seu primeiro mandato, os deputados estaduais tinham direito ao porte de armas e era comum que sacassem seus revólveres durante as ordens do dia quando uma discussão mais fervorosa começava. “Os ânimos eram muito exaltados naquela época. Como eu costumava sentar na primeira fileira, por vezes via armas sacadas de todos os lados e me escondia debaixo da cadeira com medo de levar uma bala perdida! Mas, graças a Deus, ninguém nunca chegou a apertar o gatilho”, relata a ex-deputada, hoje rindo da inusitada situação.

Alguns anos mais tarde, em 1995, a votação para escolher o novo presidente da Alerj ficou marcada por um evento raro no plenário da Casa. Ao protestar contra a decisão pelo voto aberto durante a sessão, o ex-deputado Sivuca discursou com tanta convicção que terminou sua fala batendo com o pedestal do microfone com força no chão do plenário. O problema era que o pé da ex-deputada Solange Amaral estava no caminho e acabou atingido. O vencedor da votação naquele dia e presidente da Alerj entre 1995 e 2002, Sérgio Cabral, afirmou que o evento terminou de forma inesperada: “Saímos do Palácio Tiradentes direto para o Hospital Municipal Miguel Couto, acompanhando a deputada Solange e celebrando a minha vitória”, contou.

O Palácio tem um papel tão significativo na vida de algumas pessoas que está até eternizado na pele de uma de suas funcionárias. A subdiretora de Segurança da Casa, Cristina Vilhena, que trabalha pelos corredores do Palácio há 27 anos, fez uma tatuagem da cúpula do Palácio Tiradentes em suas costas. “É um orgulho e uma alegria tão grande cuidar deste lugar, por onde passa tanta gente, que resolvi gravá-lo em minha pele”, disse Cristina.

Passando de eventos e indivíduos marcantes para algumas das lendas mais famosas dentre os funcionários da Alerj, o segurança Luiz Carlos Martins, conhecido como Carlão, afirma já ter encontrado o próprio Tiradentes durante uma ronda noturna pelo Palácio. Segundo o segurança, um homem barbudo, de cabelo grande, vestindo bermuda e sandálias tentou forçar os portões do Palácio em um fim de semana: “Quando me aproximei, o homem disse que estava à procura de alguns livros e que já havia vivido ali. Quando disse para ele voltar na segunda-feira, o homem desapareceu”, declarou Carlão.

Um outro segurança, Francisco de Araújo, que trabalha no Palácio há exatos 30 anos, também conta que alguns de seus colegas que trabalharam na Casa disseram já ter visto vultos suspeitos e ouvido barulhos estranhos durante a madrugada. Como Francisco nunca trabalhou neste turno, ele garante não ter visto nada de estranho até hoje: “Acho que essas coisas não acontecem durante o dia, né?”, concluiu.

A auxiliar de serviços gerais, Daisa Maria da Conceição, que é funcionária da Alerj há 23 anos, também tem uma história parecida. Daisa relata que estava fazendo faxina no plenário da Casa durante um fim de tarde e avistou uma mulher sentada na plateia. Ao desviar o olhar para avisar a uma colega de profissão sobre a presença da tal mulher, ela havia desaparecido. “Foi muito assustador!”, relatou Daisa

Segredos na Assembleia

Você sabia que o Palácio Tiradentes tinha barbearia, vestiário, garagem e restaurante quando foi inaugurado? E que existe até hoje uma escadaria de mármore em espiral com 80 degraus que liga o térreo ao 4º andar? Estas são apenas duas de inúmeras curiosidades sobre o Palácio Tiradentes que são desconhecidas por grande parte de seus funcionários, visitantes e da população em geral. Por trás de portas fechadas, passagens secretas e objetos escondidos remetem a grandes histórias do Palácio. No primeiro andar, por exemplo, o único elevador desativado, dos oito que existem no prédio, liga o almoxarifado à Furna da Onça, uma sala ao lado do plenário onde os deputados se reúnem para ter conversas mais particulares. A arquiteta Lenise Pereira, do Departamento de Engenharia e Arquitetura da Casa, acredita que o elevador, que conecta apenas dois andares, provavelmente era utilizado pelos deputados quando saíam do plenário e não queriam ser importunados por ninguém.

No terceiro andar, mais surpresas podem ser encontradas. Na antiga casa de máquinas do elevador desativado, bem acima da Furna da Onça, há um vitral, em perfeitas condições, completamente escondido. No lado oposto do prédio, praticamente na mesma posição, um outro vitral, visível a quem frequenta as galerias do plenário, indica que pode ter havido erro na restauração da peça. “Não sabemos o que aconteceu, mas o trabalho foi mal feito e a perna de um anjo, na parte baixa da figura, acabou sendo trocada”, comenta Lenise. Dentro da sala da Presidência neste andar, há ainda um quadro, intitulado Samba no Morro, de Braz Torres, que data de 1946 e é visto apenas por quem frequenta a sala.

Confira as imagens dos locais citados no Jornal da Alerj

A Casa de Leis completa 90 anos cheios de histórias

Sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o Palácio Tiradentes completa 90 anos em 6 de maio de 2016. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o prédio, inspirado no Grand Palais de Paris, projetado pelos arquitetos Arquimedes Memória e Francisque Couchet, destaca-se por ser não apenas uma casa de leis, sua função primordial, mas, também, um polo irradiador de história, arte e arquitetura. “Localizado na Praça XV, espaço reconhecidamente histórico por representar o núcleo administrativo e político do Brasil colonial e monárquico, o Palácio Tiradentes protagonizou os principais fatos políticos do país. O seu legado é de lutas ao lado do povo em prol da soberania e democracia. Além de sediar o Legislativo fluminense, insere-se, através da sua arquitetura, no rico conjunto de patrimônios históricos do nosso estado”, ressalta o historiador e professor Gilberto Catão, que coordena a exposição permanente do Paláciio Tiradentes há 15 anos.

Marca 

Para celebrar a data, os Correios vão lançar um selo especial, que reproduz a marca criada especialmente para a ocasião. Também foram programados diversos eventos abertos ao público. Um deles é a encenação da peça Tiradentes, um Palácio de Histórias no plenário da Alerj, com apresentações nos dias 5, 6 e 7 de maio. O roteiro é do historiador Milton Teixeira. A peça conta, de forma bem-humorada e atual, parte da história política do país. A entrada é gratuita. Estão previstas ações como a apresentação da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa e de músicos internacionais, dentro do Rio Harp Festival, o maior festival de harpas do mundo. Um calhambeque vai rodar pelo Centro.

Museu vivo

Encravado no corredor cultural do Centro do Rio, repleto de obras de arte, o Palácio Tiradentes abriga um crescente número de eventos culturais gratuitos. Sua riqueza histórica e arquitetônica já atraiu mais de 500 mil visitantes, entre brasileiros e estrangeiros, desde a inauguração de sua exposição permanente, em 2001. Em 2015, 46.247 pessoas percorreram os corredores do Palácio Tiradentes – um recorde.

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Conheça as mulheres que fizeram história no Palácio Tiradentes.

Em 1933, o Palácio Tiradentes recebia Almerinda Farias Gama, única mulher delegada eleitora, que participou do processo de escolha dos representantes classistas para a Assembleia Constituinte. No ano seguinte, a paulista Carlota Pereira de Queiroz vai à tribuna como a primeira brasileira a votar – com base no novo Código Eleitoral de 1932 – e ser eleita deputada federal. Ela entrou para a Assembleia Nacional Constituinte, no Governo Getúlio Vargas, e permanece até 1937. Porém, a grande representatividade das mulheres no parlamento fl uminense se deu com a fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, em 1975, criando apenas uma unidade federativa: o estado do Rio de Janeiro. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro contava com 94 parlamentares, eleitos em novembro de 1974 – ainda pelas duas unidades federativas. Desse grupo, havia apenas quatro mulheres. As deputadas Hilza Maurício da Fonseca (MDB), Maria Rosa Silva Almeida (MDB), Sandra Martins Cavalcanti de Albuquerque (ARENA) e Sandra Raggio Salim (MDB). Dentre as parlamentares que se destacaram como as primeiras vozes feministas na Alerj podemos destacar Heloneida Studart, Lucia Arruda, Jandira Feghali, Lucia Souto, Cida Diogo, Cidinha Campos, Jurema Batista e Inês Pandeló, entre outras. Todas participantes de movimentos sociais, militantes feministas e fi liadas aos partidos ditos de esquerda.

 

Um Palácio de Histórias – A pioneira da tribuna

 

No dia 10 de novembro de 1934, no plenário do Palácio Tiradentes, a Mesa Diretora, sob a presidência do ministro Hermenegildo de Barros, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, iniciava o recebimento dos diplomas dos 254 deputados constituintes eleitos. Entre eles uma única mulher, Carlota Pereira de Queiroz. A médica paulista, então com 42 anos de idade, entrava para a história política como a primeira deputada federal eleita na legenda da Chapa Única por São Paulo. “Representante feminina, única nesta Assembleia, sou, como todos que aqui se encontram, uma brasileira integrada no destino do seu país e identifi cada para sempre com os seus problemas”, disse em seu primeiro discurso na Casa legislativa, onde integrou a Comissão de Saúde e Educação. Sua fala na cerimônia de posse foi marcada pela solidariedade humana e pela preocupação com as diferenças. “Um povo que se divide em duas categorias de indivíduos, de um lado os homens e de outro as mulheres, será sempre um povo fraco”, disse. Carlota havia participado ativamente da Revolução Constitucionalista, movimento de contestação à Revolução de 1930, ocorrido em São Paulo em 1932, onde esteve à frente de 700 mulheres na assistência aos feridos.

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Palácio Tiradentes Revitalizado

Dos vitrais às fachadas e esculturas, sede da Assembleia Legislativa passa por restauro ao completar 90 anos

No ano em que celebra nove décadas de existência, a sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) ganha roupa nova. Já estão sendo restauradas as fachadas do prédio histórico, além de portas e janelas de ferro e madeira. O sistema de ar condicionado será substituído. Os grupos escultóricos também precisam de reparos. “Os danos são causados, principalmente, pela poluição. A fachada e as esculturas estão muito sujas, e há rachaduras, trincas e peças faltando”, explica a arquiteta, Lenise Severino, do Departamento de Engenharia da Alerj. “O maior desafi o é fazer isso com o prédio funcionando. É como trocar o pneu com o carro andando.” O último restauro foi em 1999. O objetivo é preservar o patrimônio do Palácio Tiradentes, um dos prédios mais emblemáticos do corredor cultural do Centro do Rio de Janeiro, repleto de importância histórica, arquitetônica e política, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “O restauro traz de volta ao auge um dos monumentos do Estado com mais visitações permanentes. O Tiradentes é um patrimônio não sdo Estado e também do Brasil”, ressalta o subdiretor-geral de Engenharia da Alerj, Eduardo Paixão. A empresa Concrejato venceu a licitação para executar o serviço ao custo de R$ 17,4 milhões – R$ 3,5 milhões a menos que a estimativa inicial do pregão, de R$ 20,9 milhões. A verba é do fundo da Alerj, fruto de economia da Casa. O trabalho de recuperação das fachadas é realizado em etapas, na seguinte ordem: lateral do Largo do Paço; fundos, na Rua Dom Manuel; lateral da Rua São José e, por fi m, a entrada principal. Na última etapa, será preciso refazer partes destruídas das estátuas e detalhes das fachadas: “Existem volumes que estão faltando. Então, o artesão terá que confeccionar. É um trabalho artístico e de muita técnica”, afi rma a arquiteta. Um dos grandes desafi os é a recuperação do vitral da cúpula. Um trabalho minucioso e artesanal. São 139 peças, compostas por mais de quatro mil vidros. “Caixotes especiais tiveram que ser feitos. As peças somam cerca de 100m² e, com o castilho de ferro, pesam 2,8 toneladas”, afirma o vitralista responsável pelo restauro, Luidi Nunes.

Segundo ele, os vidros coloridos são cobertos por uma pintura esmaltada sujeita a um ataque químico, que deixa os vidros esbranquiçados. O chumbo que dá forma à estrutura também será refeito, e todas as peças são registradas durante o processo: “Quando termina, elas são, de novo, todas fotografadas. Serve como um controle geral e como documento para o futuro. Se alguém precisar, daqui a 200 anos, é só ir lá”, garante. Outro ponto importante do processo é a substituição do sistema de ar condicionado por um novo, 40% mais econômico. “Os novos equipamentos são mais modernos, eficientes e com menor custo de manutenção e consumo de energia”, explica Eduardo Paixão.

Arte e vidro

Técnica, esmero e delicadeza são pré-requisitos para dominar a arte milenar dos vitrais. Em caso de restauro, todo o cuidado é pouco: as peças são embaladas em isopor e caixas de madeira, desmontadas e lavadas. O chumbo que sustenta os vidros é descartado e trocado por outro recém-fundido. Cada peça é colocada sobre uma mesa de luz, e seu desenho original é registrado para que não se perca. Quando um vitral está quebrado, é preciso encontrar a combinação de cores perfeita para substituí-lo. O vitral da cúpula do Palácio Tiradentes passa por esse processo pelas mãos do vitralista Luidi Nunes. (foto acima) O início na carreira foi apenas por hobby. “Fazia faculdade de Física, mas sempre fui apaixonado por vitral”, conta ele, que acabou se rendendo à paixão. Hoje, o paranaense, aprendiz do italiano Alberto Magini, comanda um ateliê na Zona Norte do Rio. Em 40 anos de carreira, ele já fez mais de três mil trabalhos, muitos deles emblemáticos, como na Catedral Metropolitana de Brasília, no Theatro Municipal do Rio e até em uma igreja em Nova York. O vitral da cúpula do Tiradentes foi confeccionado por Cesar Alexandre Formenti, um dos pioneiros dos vitrais no Brasil. “Ele tem um valor simbólico grande, pois representa a posição das estrelas no céu na noite da Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889”, diz Nunes.

“O restauro traz de volta ao auge um dos monumentos do Estado com mais visitações permanentes. O Tiradentes é um patrimônio não sdo Estado e também do Brasil”

Subdiretor-geral de Engenharia da Alerj, Eduardo Paixão.

Um Palácio de Histórias - Tiradentes aos 90 anos

O Palácio Tiradentes, que completa 90 anos, se destaca por sua beleza arquitetônica e imponência. A sede do Poder Legislativo fluminense guarda parte da história que começou nas primeiras décadas do século XVII.  A região próxima ao cais da Rua Dom Manuel (atual Praça XV) se firmava como o mais importante centro político e financeiro do Brasil Colônia. Em 1640, começou a ser construída  a edificação que funcionaria como uma câmara que representasse os interesses da Coroa Portuguesa em terras brasileiras.  Só em 1747 foi inaugurado o edifício colonial da Câmara e da Cadeia Velha, abrigando, em 1823, a primeira Assembleia Geral Constituinte Brasileira. Até 1914, o prédio foi sede da Câmara dos Deputados e, em 1921, foi demolido para dar lugar ao Palácio Tiradentes, inaugurado em 06 de maio de 1926. No período republicano, a grandiosa fachada representava a tendência e o arrojo arquitetônico da época. Inspirada no Grand Palais de Paris, teve influência da Belle Époque, já que a referência urbanística do Brasil no início do século XX eram as cidades europeias. A construção, seus adornos e obras de arte tornaram o Palácio Tiradentes referência e cenário do processo legislativo do Brasil e hoje inserido no Corredor Cultural do Rio de Janeiro.

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História do Palácio – Degraus do povo

Se essa escadaria falasse… A expressão define bem a trajetória dos inúmeros episódios que tiveram como palco a frente do Palácio Tiradentes, que, diga-se de passagem, tem o que contar. A verdade é que, nas últimas décadas, a voz de milhares de cidadãos dos mais diversos ideais reverberou na Praça XV. Em 1968, a sede da Alerj foi ocupada por milhares de pessoas na concentração da histórica Passeata dos 100 mil, a mais importante manifestação popular de protesto contra a ditadura militar no Brasil. Desde então, as manifestações populares tomaram a escadaria de assalto, fazendo surgir ali movimentos e líderes. Dos protestos contra animais em circo, em 2001, às “manifestações pelos 20 centavos”, contra o aumento das tarifas de ônibus, em 2013, teve de tudo. Essa última culminou com a depredação de várias alas e vitrais do Palácio Tiradentes – parte do material já foi recuperado Professores, agentes de saúde, ambientalistas, policiais civis e militares, enfi m, todos deixaram sua marca nas escadarias. A mais recente manifestação, no dia 25, ocorreu em defesa dos direitos da mulher. O ato, no Dia Mundial de Combate à Violência contra a Mulher, teve início na escadaria da Alerj e, depois, tomou o Centro do Rio.

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Um Palácio de Histórias – Casa do poder federal 

O primeiro presidente da República a tomar posse no Palácio Tiradentes foi Washington Luiz, em novembro de 1926. Ele foi deposto em 24 de outubro de 1930, 21 dias antes do término do mandato, por um golpe militar, passando o Poder para as forças repressivas comandadas por Getúlio Vargas. Em menos de um mês, o novo presidente ordenou o encerramento das atividades do Congresso Nacional e fechou as portas do Palácio Tiradentes pela primeira vez. Esse fato viria a ocorrer novamente em 1934, para a instalação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). A última cerimônia de posse de um presidente da República no Tiradentes foi em 1956, quando Juscelino Kubitschek, com João Goulart como vice, chegou ao Poder. A era JK foi o início de uma nova fase na história do Palácio. A capital do Brasil mudou-se para Brasília em 1960 e, no dia 4 de abril do mesmo ano, a Lei Santiago Dias transformou o antigo Distrito Federal em Estado da Guanabara. E os mandatários da Nação deixaram as dependências do prédio da Praça XV. Com a fusão entre Rio e Guanabara, em 1975, tem início as bases para a implantação da Alerj. Em 6 de abril de 1960, foi realizada a última sessão da Câmara dos Deputados no plenário do Palácio Tiradentes.

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Um Palácio de Histórias – A censura esteve aqui

Desde a concentração para a famosa Passeata dos Cem Mil, em 26 de junho de 1968, o Palácio Tiradentes, sede da Alerj, permanece como um dos principais referenciais da política fluminense. Tem aberto suas portas para receber visitantes em busca de arte e entretenimento e promovido uma agenda cultural repleta de eventos. Um celeiro cultural gratuito para a população. Mas nem sempre foi assim. No resgate da memória política do Estado e do país, chega-se ao dia 10 de dezembro de 1937, quando Getúlio Vargas fechou o Congresso e impôs uma nova carta constitucional. Tinha início a ditadura do Estado Novo. Assim, o Palácio, desocupado após o fechamento da Câmara, passou a sediar o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado em 1939. O objetivo era o de difundir a ideologia de Vargas junto às camadas populares. O DIP, com status de ministério, teve a nítida função de censurar e regulamentar todo material publicado em rádios, jornais e revistas, além das manifestações culturais, como teatro, cinema e música. Nas redações, a possibilidade de se divulgar alguma notícia contra Vargas era mínima. Essa intervenção durou até 1945, com o fi m da Segunda Guerra Mundial, que coincide com o término do Estado Novo.

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