Tríades Republicanas: 130 anos da Proclamação da República

De 1889 a 2019, permanece a pergunta: qual é a face da República no Brasil? Em 130 anos a cidade do Rio de Janeiro foi palco de diversas experiências de construção da “imagem” da Res Publica brasileira. Os principais símbolos que nasceram com o 15 de novembro de 1889 eram a base da batalha de legitimidade do novo regime: golpe ou revolução? Futuro ou tradição? Povo bestializado ou um corpo cívico com unidade de “Ordem e Progresso”? No dia 26 de novembro, a Diretoria de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com o Museu da República e o Templo da Humanidade (Igreja Positivista do Brasil), vai inaugurar a exposição “Tríades Republicanas: 130 anos da Proclamação da República”, onde exibirá, pela primeira vez, simultaneamente, as três primeiras bandeiras do Brasil republicano.
A primeira delas, considerada a “Bandeira Militar”, é, muito provavelmente, a menos conhecida. Dois dias após a proclamação da República, Custódio José de Melo, comandante do cruzador Almirante Barroso, da Marinha Brasileira, que estava no Sri Lanka em uma missão de volta ao mundo, recebeu um telegrama notificando-o dos fatos e com a ordem de substituir na bandeira imperial hasteada na embarcação, a coroa por uma estrela vermelha até receber a bandeira definitiva. O que só veio a acontecer cinco meses mais tarde, em oito de abril de 1890. Já a “Bandeira Liberal”, com listras verde e amarelas, muito semelhante à bandeira dos Estados Unidos, foi hasteada no vapor “Alagoas”, que levou a Família Imperial para o exílio, no dia 17 de novembro. Finalmente, a primeira bandeira da República, ou a “Bandeira Positivista” com o desenho conhecido nos dias de hoje, teria sido confeccionada pelas filhas de Benjamin Constant e oferecida à Escola Superior de Guerra em 1890.
Além das bandeiras serão expostas mais duas tríades: os bustos do artista Décio Villares, representando a tríade cívica positivista: Tiradentes, José Bonifácio e Benjamin Constant; a urna que elegeu o marechal Deodoro da Fonseca na Assembleia Constituinte de 1891, que na verdade era uma papeleira do imperador; a urna de lona usada em meados do século XX e a urna eletrônica dos dias atuais. A compreensão destes símbolos e de seus conteúdos nos impulsiona a construir um olhar sobre os ideais e permite entender quais as ideias de povo, nação e sociedade se encontravam em jogo para os republicanos na virada do século XIX para o XX e de que forma permaneceram ao longo de 130 anos de República. Partindo da concepção das tríades na construção da narrativa republicana a partir do 15 de novembro, a exposição busca se alicerçar exatamente neste ponto: apresentar os tripés de símbolos nacionais, abrangendo a luta pelas suas diversas representações até a suas recepções nos dias atuais.
“Essa exposição representa a evolução e a ressignificação da história da participação política do Brasil, da Proclamação da República ao dias atuais. E marca também o início de um processo que levará à consolidação do Palácio Tiradentes como o equipamento cultural da cidade a partir do ano que vem, com a mudança de endereço da Assembleia, quando se tornará a “Casa da Memória Histórica da Política Brasileira”, afirmou o  diretor de Cultura da ALERJ, Nelson Freitas.
Segundo o deputado André Ceciliano, presidente da ALERJ, “nosso compromisso é promover o acesso da população às principais fontes de conhecimento guardadas na memória nacional que fazem parte dos ideais de construção da nossa democracia. Nesse contexto, o Palácio Tiradentes desempenhou um papel relevante na construção de um Brasil politicamente independente e sustentável”.
Serviço:
Trí­ades Republicanas: 130 anos da Proclamação da República
De 26 de novembro a 14 de fevereiro de 2020, das 10h às 17h
Local: Salão Nobre do Palácio Tiradentes – Rua Primeiro de Março S/N – Centro

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